
Author: liliancmoraes
“Mais cinemas, menos bingos” (blog do Inácio Araújo)
Deu no Twitter do fangelico:
http://inacio-a.blog.uol.com.br/arch2009-09-20_2009-09-26.html#2009_09-20_04_52_16-135949845-0
20/09/2009
Mais cinemas, menos bingos
No passado, as salas de cinema viraram igrejas evangélicas, estacionamentos e bingos.
Os três signficavam o oposto do cinema, do cinema que amamos, como expressão de liberdade e de crescimento espiritual.
De todos, o que mais me agredia era o bingo, pelo poder de corrupção, de sujeira, de contágio doentio que traz consigo.
O lobby da jogatina está tentando (e conseguindo) fazer com que os bingos voltem. Já passou com folga (entenda-se, deputados de situação e oposição unidos) numa comissão da Câmara.
É impressionante como coisas destrutivas (porém lucrativas) lutam para impor tudo que é indecente com argumentos mais indecentes ainda, que não convém nem repetir de tão imorais.
E outra: ninguém precisa das ultrajantes esmolas que eles propõem distribuir aqui e ali.
A sea change! A acidificação dos oceanos ameaça mais de um milhão de espécies!
“Como num sonho…” (Thomas Mann)
“…é nossa própria vontade que se apresenta como o inexorável destino objetivo; tudo nele provém de nós mesmos e cada um de nós dirige o teatro secreto de seus próprios sonhos. Nosso destino é o produto de nossos ‘eus’ mais profundos, ou de nossas vontades, e triunfamos daquilo que nos parece acontecer.”
(Thomas Mann citado em “O Xamanismo” de Alix de Montal, Ed. Martins Fontes)
O Budismo – As 4 verdades nobres (Jean-Michel Varenne)
“Quando começou a pregar, Gautama optou por uma expressão clara, destituída de ambiguidade dogmática, a fim de que todos o entendessem, evitando, cuidadosamente, as armadilhas da interpretação filosófica.
As Quatro Verdades Nobres constituem o pivô de sua doutrina. A compreensão verdadeira, não-intelectual, dessas sentenças, enunciadas com uma lógica implacável, constitui a chave inegável do budismo.
1 – Tudo é sofrimento
Essa é uma proposição essencial, e não se trata de admiti-la ao final de uma reflexão mental, mas de imbuir-se dela. Estamos diante menos de um dogma que de uma verdade experimental. O próprio Gautama, antes de compreender a natureza de nossa condição, não a admitia.
2 – A origem do sofrimento é o desejo
Sofremos porque somos constantemente levados a desejar o que não conhecemos. O desejo sempre acarreta o sofrimento. Nunca estamos totalmente livres e felizes com a vida. Sempre queremos algo mais: coisas, posições, entes amados. Também podemos traduzir desejo por sede, apetite. Somos ávidos por tomar, segurar, possuir. Ao associar desejo e sofrimento, Buda aproxima o ferro em brasa da ferida viva da condição humana.
3 – Libertar-se do sofrimento consiste em abolir o desejo
O sofrimento não se extingue sozinho, como uma vela de cera. Somente a compreensão de sua causa real – a avidez – pode nos libertar da prisão em que nos encontramos. O primeiro passo para a libertação espiritual é a supressão dos desejos, conquistada graças ao conhecimento global de sua fatuidade e dos condicionamentos que os suscitam.
4 – O caminho do meio
A resposta de Gautama define a ambição do budismo. Se nos deixarmos conduzir pelso sentidos, estaremos cedendo à tirania das paixões insaciáveis, perseguindo obstinadamente, fora de nós mesmos, compensações que, por sua vez, engendram novos sofrimentos, e assim por diante. Entretanto, é quase impossível interromper bruscamente o exercício dos cinco sentidos recorrendo a uma disciplina ascética, coercitiva. Suprimir os desejos pela vontade racional é causa suplementar de sofrimento.
O Buda propõe uma via intermediária, o caminho do meio. Sem ceder aos atrativos mundanos, o indivíduo deve observar uma disciplina “suave” que não caia nos caprichos masoquistas da automutilação.
O caminho do meio é governado pela paciência, pela atenção, pela distinção entre os pensamentos perturbadores.
A partir do momentio em que compreendemos a verdadeira natureza dos desejos, libertamo-nos do sofrimento que eles implicam. Não se trata de uma autoprovação, de uma fuga do mundo, mas do conhecimento da realidade. A vida é o que fazemos dela. O sofrimento e a avidez não possuem existência própria.”
(extraído de O Budismo Tibetano, de Jean-Michel Varenne, Ed. Martins Fontes)
