ARROYO: Chegamos aqui a dois pontos muito importantes que podem auxiliar o astrólogo praticante a manter-se concentrado e na disposição de espírito correta, com um pouco de humildade. Essas duas observações não podem ser consideradas superficiais e simples:
1. Há na mente de qualquer pessoa que procura um astrólogo, de forma consciente ou inconsciente, a crença de que, por trás das afirmações do astrólogo reside o poder do cosmos. Mesmo que estas pessoas sejam céticas na superfície (digamos, um cliente de capricórnio com 7 planetas em Virgem), elas não estariam ali se não tivessem, em algum lugar profundo do seu íntimo, o sentimento de que ‘aquilo que o astrólogo diz pode ser a verdade da minha vida. Talvez seja a verdade do cosmos.’
Assim, eis que surge a questão: quantos astrólogos dispõem das condições necessárias à interpretação do cosmos? É justamente isso que fazemos: interpretamos o cosmos. Interpretamos o estado do sistema solar como ele se reflete na vida do indivíduo. Trata-se de uma tarefa de caráter profundo. Mais uma vez, segundo penso, ela traz a cada pessoa um pouco de humildade e a percepção de que precisamos reconhecer nossos próprios limites. O segundo ponto mantém estreita relação com o primeiro.
2. Estamos lidando com algo sagrado quando aconselhamos outra pessoa com relação às suas necessidades, aos seus sentimentos e às suas aspirações de caráter mais profundo. Não lidamos simplesmente com um objeto a serviço da exaltação do nosso ego. Não lidamos com uma coisa que podemos tratar como argila e moldar da forma que nos aprouver. (O aconselhamento) constitui uma interação extremamente sagrada. Precisamos ter a consciência de que só podemos interpretar o cosmos e, por conseguinte, a vida da pessoa que temos diante de nós, até o limite do nosso grau mais elevado de consciência. Essa pessoa pode ter um nível de consciência e de aspirações mais elevado que o nosso. É preciso dar um espaço para a nossa própria ignorância! Por mais que se saiba, 90% dos clientes pode ter mais consciência que nós. É preciso deixar um espaço para isso. Reconheçamos nossa própria ignorância.
Por exemplo, um certo fator netuniano num determinado mapa pode ser um indício de auto-ilusão, mas também pode indicar uma tremenda dedicação espiritual ou um impressionante idealismo ou devoção. Pode também indicar essas duas espécies de coisas! Assim, é preciso dar espaço para a pessoa a que este fator se refere. Não podemos simplesmente proclamar: ‘Ah, isso indica auto-ilusão.’ Não sabemos necessariamente quais são as aspirações daquela pessoa no nível mais profundo. Assim sendo, como dizem na homeopatia: ‘antes de tudo, não provoque qualquer dano.’ Deixe que as pessoas sejam o que são.
(extraído de Astrologia, prática e profissão, de Stephen Arroyo, Ed. Pensamento. Arroyo cita dois tópicos de Interviewing and counseling techniques for astrologers, de Dr. Marvin Layman)