Pensamentos e Sentimentos (Lucia Helena dos Santos)

Pensamentos e Sentimentos

Vivemos imersos no mar de pensamentos de toda a humanidade – o chamado “pensamento massa”. A maior parte do tempo, você capta estes pensamentos, aceita-os, dá-lhes força (nutrindo-os com seus sentimentos) e os envia adiante. A partir daí, torna-se responsável por eles, pois contribuiu para melhorar ou piorar a qualidade do “pensamento massa”.

É um erro acreditar que os pensamentos sejam invisíveis e que se desfazem no infinito. O que você pensa fica registrado em seu corpo físico, nos móveis, nas paredes da casa, na atmosfera do seu mundo, nos relacionamentos e nos trabalhos que produz.

Você é, agora, o resultado do que pensou até hoje.

Diz um provérbio milenar: “junte Amor no pão que amassar; embrulhe Força e Coragem no pacote que amarrar para a mulher de rosto cansado; entregue Confiança no dinheiro que vai pagar ao homem de olhos desconfiados”.

Os maus pensamentos e sentimentos causam danos, tanto para o pensador como para os outros, sendo fonte de muitas doenças.

Anteriormente, só as doenças psíquicas eram ligadas a pensamentos e sentimentos imperfeitos, mas já é tempo de discernir que variadas doenças físicas nasceram de pensamentos e sentimentos descontrolados. Não só as do coração! Muitas de estômago e pele são conseqüências de pensamentos e sentimentos destrutivos.

Cada mau pensamento e sentimento nos distancia do nosso Sol Espiritual, o Cristo, a fonte da nossa vida e imunidade. Quando nos afastamos de Deus, nos tornamos campos férteis para todo tipo de doença.

O que torna um ser humano mais desenvolvido que outro é que um deles controla melhor seus pensamentos e sentimentos e os usa conscientemente.

Para você adquirir esse controle, o primeiro passo é estabelecer o observador de si mesmo. Esse vigilante silencioso logo ajudará a discernir entre seus bons e maus pensamentos.

Você descobrirá que a saúde, a convivência e tudo que nos cerca resulta da qualidade dos nossos pensamentos e sentimentos. Só então pode deixar o papel de vítima e assumir a consciência de ser o Criador Responsável.

Esse observador pode ser visualizado, a princípio, como um olho dentro da cabeça (o terceiro olho), sentindo-o como o Olho Onividente, a Vista de Deus em si, o Pensador Perfeito.

A mente é semelhante a um aparelho de rádio e podemos selecionar as emissoras, ou seja, os tipos de pensamentos que desejamos captar. Escolhamos então a melhor emissora! A Mente de Deus!

Os grandes mestres da música, da pintura, da literatura, os maiores pensadores foram apenas pessoas que ousaram aspirar por uma perfeita sintonia com a Mente de Deus. Realizaram então obras que contribuíram e contribuem para a evolução da humanidade.

O pensamento é a flecha. O sentimento, o arco que a impulsiona. Sejamos arqueiros conscientes e, com toda concentração, miremos o único alvo de valor: a Mente de Deus.

Todas as formas velam um atributo, uma mensagem, um ensinamento. O jasmim do cabo ou Gardenia jasminoides Ellis é um ser nativo da antiga Pérsia, que traz um simbolismo, uma mensagem muito importante para cada um de nós neste momento.

Olhe para o jasmim e transforme-se nele, pois ele é pureza transmitida pela alvura de suas pétalas, que também emanam inofensividade, regeneração, paz, dignidade e elegância. Do seu centro, o jasmim exala maravilhoso perfume, que são seus pensamentos e sentimentos, abençoando toda criação, todo o exterior.

A essência floral do jasmim é obtida da seguinte forma: ao nascer do sol, colhe-se uma flor bem aberta e perfeita. Mergulha-se a flor em um litro de água pura, em vasilha de vidro transparente. Deixa-se ao sol durante todo o dia. Ao entardecer, estará pronta para ser tomada. A dosagem fica a critério da observação pessoal de cada um.

Esta essência facilita a sintonia de nossa mente com a Mente do nosso Deus interior, fonte de toda beleza, harmonia, pureza, perfeição, criatividade e iluminação. Proporciona um novo nascimento, regeneração e melhoria na auto-estima.

O nome jasmim significa “exalar a beleza e a perfeição que jaz em mim”. Sejamos jasmins e vivamos no interior do seguinte pensamento: Eu Sou o pensamento e sentimento criadores perfeitos, presentes nas mentes e corações de todos, em todos os lugares.

Lucia Helena dos Santos

“‎Expedição à Terra” – Arthur C Clarke

“‎Expedição à Terra”:
“Durante a Segunda Guerra Mundial, Arthur C. Clarke trabalhou na operação dos primeiros radares desenvolvidos pelos Aliados e pouco mais tarde, escreveu o artigo “Extraterrestrial relays”, que lançaria a idéia por trás do satélite de comunicações geosincrônico – uma das bases da moderna rede de telecomunicações. Ao mesmo tempo em que ajudava os Aliados a detectarem a chegada dos foguetes V-2 do Eixo, ele sonhava com o desenvolvimento da viagem espacial. A mistura de conhecimento tecnológico prático, o sonho de explorar as Estrelas e a percepção aguda da época em que vivia, dariam origem, na década de 50, aos contos que fazem parte de “Expedição à Terra”. Contos em que o pesadelo da guerra nuclear divide espaço com a esperança e os perigos da exploração espacial.”

http://pt.scribd.com/doc/55970715/Arthur-C-Clarke-Expedicao-a-Terra

Ai de ti, Copacabana (Rubem Braga)

1. AI DE TI, Copacabana, porque eu já fiz o sinal bem claro de que é chegada a véspera de teu dia, e tu não viste; porém minha voz te abalará até as entranhas.

2. Ai de ti, Copacabana, porque a ti chamaram Princesa do Mar, e cingiram tua fronte com uma coroa de mentiras; e deste risadas ébrias e vãs no seio da noite.

3. Já movi o mar de uma parte e de outra parte, e suas ondas tomaram o Leme e o Arpoador, e tu não viste este sinal; estás perdida e cega no meio de tuas iniqüidades e de tua malícia.

4. Sem Leme, quem te governará? Foste iníqua perante o oceano, e o oceano mandará sobre ti a multidão de suas ondas.

6. Grandes são teus edifícios de cimento, e eles se postam diante do mar qual alta muralha desafiando o mar; mas eles se abaterão.

6. E os escuros peixes nadarão nas tuas ruas e a vasa fétida das marés cobrirá tua face; e o setentrião lançará as ondas sobre ti num referver de espumas qual um bando de carneiros em pânico, até morder a aba de teus morros; e todas as muralhas ruirão.

7. E os polvos habitarão os teus porões e as negras jamantas as tuas lojas de decorações; e os meros se entocarão em tuas galerias, desde Menescal até Alaska.

8. Então quem especulará sobre o metro quadrado de teu terreno? Pois na verdade não haverá terreno algum.

9. Ai daqueles que dormem em leitos de pau-marfim nas câmaras refrigeradas, e desprezam o vento e o ar do Senhor, e não obedecem à lei do verão.

10. Ai daqueles que passam em seus cadilaques buzinando alto, pois não terão tanta pressa quando virem pela frente a hora da provação.

11. Tuas donzelas se estendem na areia e passam no corpo óleos odoríferos para tostar a tez, e teus mancebos fazem das lambretas instrumentos de concupiscência.

12. Uivai, mancebos, e clamai, mocinhas, e rebolai-vos na cinza, porque já se cumpriram vossos dias, e eu vos quebrantarei.}

13. Ai de ti, Copacabana, porque os badejos e as garoupas estarão nos poços de teus elevadores, e os meninos do morro, quando for chegado o tempo das tainhas, jogarão tarrafas no Canal do Cantagalo; ou lançarão suas linhas dos altos do Babilônia.

14. E os pequenos peixes que habitam os aquários de vidro serão libertados para todo o número de suas gerações.

15. Por que rezais em vossos templos, fariseus de Copacabana, e levais flores para Iemanjá no meio da noite? Acaso eu não conheço a multidão de vossos pecados?

16. Antes de te perder eu agravarei s tua demência — ai de ti, Copacabana! Os gentios de teus morros descerão uivando sobre ti, e os canhões de teu próprio Forte se voltarão contra teu corpo, e troarão; mas a água salgada levará milênios para lavar os teus pecados de um só verão.

17. E tu, Oscar, filho de Ornstein, ouve a minha ordem: reserva para Iemanjá os mais espaçosos aposentos de teu palácio, porque ali, entre algas, ela habitará.

18. E no Petit Club os siris comerão cabeças de homens fritas na casca; e Sacha, o homem-rã, tocará piano submarino para fantasmas de mulheres silenciosas e verdes, cujos nomes passaram muitos anos nas colunas dos cronistas, no tempo em que havia colunas e havia cronistas.

19. Pois grande foi a tua vaidade, Copacabana, e fundas foram as tuas mazelas; já se incendiou o Vogue, e não viste o sinal, e já mandei tragar as areias do Leme e ainda não vês o sinal. Pois o fogo e a água te consumirão.

20. A rapina de teus mercadores e a libação de teus perdidos; e a ostentação da hetaira do Posto Cinco, em cujos diamantes se coagularam as lágrimas de mil meninas miseráveis — tudo passará.

21. Assim qual escuro alfanje a nadadeira dos imensos cações passará ao lado de tuas antenas de televisão; porém muitos peixes morrerão por se banharem no uísque falsificado de teus bares.

22. Pinta-te qual mulher pública e coloca todas as tuas jóias, e aviva o verniz de tuas unhas e canta a tua última canção pecaminosa, pois em verdade é tarde para a prece; e que estremeça o teu corpo fino e cheio de máculas, desde o Edifício Olinda até a sede dos Marimbás porque eis que sobre ele vai a minha fúria, e o destruirá. Canta a tua última canção, Copacabana!

Rio, janeiro, 1958

(“Ai de ti, Copacabana”, Editora do Autor – Rio de Janeiro, 1960)

“Monsieur Parolles, nascestes sob uma estrela caridosa.”

“Monsieur Parolles, nascestes sob uma estrela caridosa.”
“Sob a influência de Marte.”
“Foi o que pensei, sob Marte.”
“E, por que sob Marte?”
“As guerras vos mantêm tão por baixo que deveis ter nascido sob Marte.”
“Quando estava predominante.”
“Penso antes que estivesse retrógrado.”
“Por que pensais assim?”
“Recuais sempre quando lutais.”

(W. Shakespeare, “Tudo Está Bem Quando Acaba Bem”, I, II)