Em 1990, Kurosawa previu tudo em “Sonhos”.
Author: liliancmoraes
Pensamentos e Sentimentos (Lucia Helena dos Santos)
Pensamentos e Sentimentos
Vivemos imersos no mar de pensamentos de toda a humanidade – o chamado “pensamento massa”. A maior parte do tempo, você capta estes pensamentos, aceita-os, dá-lhes força (nutrindo-os com seus sentimentos) e os envia adiante. A partir daí, torna-se responsável por eles, pois contribuiu para melhorar ou piorar a qualidade do “pensamento massa”.
É um erro acreditar que os pensamentos sejam invisíveis e que se desfazem no infinito. O que você pensa fica registrado em seu corpo físico, nos móveis, nas paredes da casa, na atmosfera do seu mundo, nos relacionamentos e nos trabalhos que produz.
Você é, agora, o resultado do que pensou até hoje.
Diz um provérbio milenar: “junte Amor no pão que amassar; embrulhe Força e Coragem no pacote que amarrar para a mulher de rosto cansado; entregue Confiança no dinheiro que vai pagar ao homem de olhos desconfiados”.
Os maus pensamentos e sentimentos causam danos, tanto para o pensador como para os outros, sendo fonte de muitas doenças.
Anteriormente, só as doenças psíquicas eram ligadas a pensamentos e sentimentos imperfeitos, mas já é tempo de discernir que variadas doenças físicas nasceram de pensamentos e sentimentos descontrolados. Não só as do coração! Muitas de estômago e pele são conseqüências de pensamentos e sentimentos destrutivos.
Cada mau pensamento e sentimento nos distancia do nosso Sol Espiritual, o Cristo, a fonte da nossa vida e imunidade. Quando nos afastamos de Deus, nos tornamos campos férteis para todo tipo de doença.
O que torna um ser humano mais desenvolvido que outro é que um deles controla melhor seus pensamentos e sentimentos e os usa conscientemente.
Para você adquirir esse controle, o primeiro passo é estabelecer o observador de si mesmo. Esse vigilante silencioso logo ajudará a discernir entre seus bons e maus pensamentos.
Você descobrirá que a saúde, a convivência e tudo que nos cerca resulta da qualidade dos nossos pensamentos e sentimentos. Só então pode deixar o papel de vítima e assumir a consciência de ser o Criador Responsável.
Esse observador pode ser visualizado, a princípio, como um olho dentro da cabeça (o terceiro olho), sentindo-o como o Olho Onividente, a Vista de Deus em si, o Pensador Perfeito.
A mente é semelhante a um aparelho de rádio e podemos selecionar as emissoras, ou seja, os tipos de pensamentos que desejamos captar. Escolhamos então a melhor emissora! A Mente de Deus!
Os grandes mestres da música, da pintura, da literatura, os maiores pensadores foram apenas pessoas que ousaram aspirar por uma perfeita sintonia com a Mente de Deus. Realizaram então obras que contribuíram e contribuem para a evolução da humanidade.
O pensamento é a flecha. O sentimento, o arco que a impulsiona. Sejamos arqueiros conscientes e, com toda concentração, miremos o único alvo de valor: a Mente de Deus.
Todas as formas velam um atributo, uma mensagem, um ensinamento. O jasmim do cabo ou Gardenia jasminoides Ellis é um ser nativo da antiga Pérsia, que traz um simbolismo, uma mensagem muito importante para cada um de nós neste momento.
Olhe para o jasmim e transforme-se nele, pois ele é pureza transmitida pela alvura de suas pétalas, que também emanam inofensividade, regeneração, paz, dignidade e elegância. Do seu centro, o jasmim exala maravilhoso perfume, que são seus pensamentos e sentimentos, abençoando toda criação, todo o exterior.
A essência floral do jasmim é obtida da seguinte forma: ao nascer do sol, colhe-se uma flor bem aberta e perfeita. Mergulha-se a flor em um litro de água pura, em vasilha de vidro transparente. Deixa-se ao sol durante todo o dia. Ao entardecer, estará pronta para ser tomada. A dosagem fica a critério da observação pessoal de cada um.
Esta essência facilita a sintonia de nossa mente com a Mente do nosso Deus interior, fonte de toda beleza, harmonia, pureza, perfeição, criatividade e iluminação. Proporciona um novo nascimento, regeneração e melhoria na auto-estima.
O nome jasmim significa “exalar a beleza e a perfeição que jaz em mim”. Sejamos jasmins e vivamos no interior do seguinte pensamento: Eu Sou o pensamento e sentimento criadores perfeitos, presentes nas mentes e corações de todos, em todos os lugares.
Lucia Helena dos Santos
“Expedição à Terra” – Arthur C Clarke
“Expedição à Terra”:
“Durante a Segunda Guerra Mundial, Arthur C. Clarke trabalhou na operação dos primeiros radares desenvolvidos pelos Aliados e pouco mais tarde, escreveu o artigo “Extraterrestrial relays”, que lançaria a idéia por trás do satélite de comunicações geosincrônico – uma das bases da moderna rede de telecomunicações. Ao mesmo tempo em que ajudava os Aliados a detectarem a chegada dos foguetes V-2 do Eixo, ele sonhava com o desenvolvimento da viagem espacial. A mistura de conhecimento tecnológico prático, o sonho de explorar as Estrelas e a percepção aguda da época em que vivia, dariam origem, na década de 50, aos contos que fazem parte de “Expedição à Terra”. Contos em que o pesadelo da guerra nuclear divide espaço com a esperança e os perigos da exploração espacial.”
http://pt.scribd.com/doc/55970715/Arthur-C-Clarke-Expedicao-a-Terra
A Ripple Of Hope | KPBS.org
Ai de ti, Copacabana (Rubem Braga)
1. AI DE TI, Copacabana, porque eu já fiz o sinal bem claro de que é chegada a véspera de teu dia, e tu não viste; porém minha voz te abalará até as entranhas.
2. Ai de ti, Copacabana, porque a ti chamaram Princesa do Mar, e cingiram tua fronte com uma coroa de mentiras; e deste risadas ébrias e vãs no seio da noite.
3. Já movi o mar de uma parte e de outra parte, e suas ondas tomaram o Leme e o Arpoador, e tu não viste este sinal; estás perdida e cega no meio de tuas iniqüidades e de tua malícia.
4. Sem Leme, quem te governará? Foste iníqua perante o oceano, e o oceano mandará sobre ti a multidão de suas ondas.
6. Grandes são teus edifícios de cimento, e eles se postam diante do mar qual alta muralha desafiando o mar; mas eles se abaterão.
6. E os escuros peixes nadarão nas tuas ruas e a vasa fétida das marés cobrirá tua face; e o setentrião lançará as ondas sobre ti num referver de espumas qual um bando de carneiros em pânico, até morder a aba de teus morros; e todas as muralhas ruirão.
7. E os polvos habitarão os teus porões e as negras jamantas as tuas lojas de decorações; e os meros se entocarão em tuas galerias, desde Menescal até Alaska.
8. Então quem especulará sobre o metro quadrado de teu terreno? Pois na verdade não haverá terreno algum.
9. Ai daqueles que dormem em leitos de pau-marfim nas câmaras refrigeradas, e desprezam o vento e o ar do Senhor, e não obedecem à lei do verão.
10. Ai daqueles que passam em seus cadilaques buzinando alto, pois não terão tanta pressa quando virem pela frente a hora da provação.
11. Tuas donzelas se estendem na areia e passam no corpo óleos odoríferos para tostar a tez, e teus mancebos fazem das lambretas instrumentos de concupiscência.
12. Uivai, mancebos, e clamai, mocinhas, e rebolai-vos na cinza, porque já se cumpriram vossos dias, e eu vos quebrantarei.}
13. Ai de ti, Copacabana, porque os badejos e as garoupas estarão nos poços de teus elevadores, e os meninos do morro, quando for chegado o tempo das tainhas, jogarão tarrafas no Canal do Cantagalo; ou lançarão suas linhas dos altos do Babilônia.
14. E os pequenos peixes que habitam os aquários de vidro serão libertados para todo o número de suas gerações.
15. Por que rezais em vossos templos, fariseus de Copacabana, e levais flores para Iemanjá no meio da noite? Acaso eu não conheço a multidão de vossos pecados?
16. Antes de te perder eu agravarei s tua demência — ai de ti, Copacabana! Os gentios de teus morros descerão uivando sobre ti, e os canhões de teu próprio Forte se voltarão contra teu corpo, e troarão; mas a água salgada levará milênios para lavar os teus pecados de um só verão.
17. E tu, Oscar, filho de Ornstein, ouve a minha ordem: reserva para Iemanjá os mais espaçosos aposentos de teu palácio, porque ali, entre algas, ela habitará.
18. E no Petit Club os siris comerão cabeças de homens fritas na casca; e Sacha, o homem-rã, tocará piano submarino para fantasmas de mulheres silenciosas e verdes, cujos nomes passaram muitos anos nas colunas dos cronistas, no tempo em que havia colunas e havia cronistas.
19. Pois grande foi a tua vaidade, Copacabana, e fundas foram as tuas mazelas; já se incendiou o Vogue, e não viste o sinal, e já mandei tragar as areias do Leme e ainda não vês o sinal. Pois o fogo e a água te consumirão.
20. A rapina de teus mercadores e a libação de teus perdidos; e a ostentação da hetaira do Posto Cinco, em cujos diamantes se coagularam as lágrimas de mil meninas miseráveis — tudo passará.
21. Assim qual escuro alfanje a nadadeira dos imensos cações passará ao lado de tuas antenas de televisão; porém muitos peixes morrerão por se banharem no uísque falsificado de teus bares.
22. Pinta-te qual mulher pública e coloca todas as tuas jóias, e aviva o verniz de tuas unhas e canta a tua última canção pecaminosa, pois em verdade é tarde para a prece; e que estremeça o teu corpo fino e cheio de máculas, desde o Edifício Olinda até a sede dos Marimbás porque eis que sobre ele vai a minha fúria, e o destruirá. Canta a tua última canção, Copacabana!
Rio, janeiro, 1958
(“Ai de ti, Copacabana”, Editora do Autor – Rio de Janeiro, 1960)