“É bem possível que isto seja uma astronave tentando escapar de mundos ainda piores.” (Millor)

“Em dúvida, não duvide.”
(conselho a Wagner Tiso, compositor, maestro, 1984)

“Em dúvida, tente o contrário.”
(telefonema para José Rubem Fonseca, romancista, 1979)

“Em dúvida, não se meta.”
(conversa com o poodle Igor, um ser humano como outro qualquer, 1998)

“Em todos os momentos da história ficou provado que um país que precisa de um salvador não merece ser salvo.”
(conversa com Milton Campos, governador de Minas Gerais e candidato à presidência da República, 1955)

“Diante da tentativa constante de nos mitificarem, dando-nos qualidades que não possuímos, coragens que não sentimos, capacidades intelectuais que nunca demonstramos, é preciso conservarmos a autocrítica a todo custo. A tentação de acreditar é grande, a vontade de ser Deus ou, para os mais medíocres, estátua, é permanente. Façamos como aquela mulher, cheia de senso de humor que, sempre que se via nua na intimidade do banheiro, morria de rir de seus admiradores.”
(Autodisciplina. Discurso. Faculdade de Recuperação da ABBR., 1959)

“Temos que lutar com nossos próprios recursos, mantendo a fé, no meio do ódio e da necessidade. Pois é bem possível que isto seja apenas uma astronave tentando escapar de mundos ainda piores.”
(discurso na praça, 1968)

“Não espere melhorar seu trabalho ou sua personalidade através de uma crítica exterior. Seus melhores amigos jamais lhe dirão tudo que pensam de você ou só o farão em momentos de exaltação pró ou contra, tornando a crítica não confiável. Ninguém jamais lhe dirá as coisas amargamente terríveis que você mesmo inúmeras vezes se diz, às três horas da manhã, no escuro do próprio quarto, a cabeça mergulhada no travesseiro. Só existe uma crítica: a autocrítica.”
(conversa com Paulo Gracindo, ator, 1973)

“É tão visível a decadência das artes plásticas que, nas exposições, as poucas pessoas que olham os quadros com atenção estão apenas querendo que todo mundo veja que elas estão olhando os quadros com atenção.”
(diálogo com Gilberto Chateaubriand, colecionador de arte, 1967)

“Além de oito, dez, doze horas de trabalhos diários, você ainda se preocupa com as possibilidades (impossibilidades) de seu próprio futuro. Se é extramemente moço, encara, com uma certa angústia, os velhos que passam. Se é velho pensa, dia a dia, no dia imediato, você mais velho e mais marginalizado do processo existencial. O dinheiro falta ou, se não falta, pode vir a faltar. A mulher possuída pode desaparecer amanhã levada pelo ímpeto de uma outra paixão. Se não lhe aconteceu até agora nenhum desastre físico, nenhuma mutilação importante, você, estatisticamente, está mais sujeito a ela a cada hora que passa. E desfilam, à sua frente, um cego, um idiota, um traído, um monótono, um nojentamente gordo, um tisicamente magro. Mas para que se preocupar tanto?? O cadáver é que é o produto final. Nós somos apenas a matéria-prima.”
(sobre “Maneira correta de enfrentar as contradições existenciais” – Discurso na Universidade do Meyer, 1945)

(trechos extraídos de O Livro Vermelho dos pensamentos de Millôr – de Millor Fernandes – Ed. L&PM Pocket)

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